não gostei do que você disse, com a cara que disse. não gostei de saber que você ainda a deseja. senti meu corpo endurecer e depois me dependurei como animal ferido em você, sentindo seu cheiro e pensando se pensa nela. insegura, repensei. pensei em te falar, mas, ao invés de perturbar nossa estável paz de sexo e suor, calei. calei e vim pra cá num alento, como se a escrita fosse me livrar de pensar em você, todos os dias, olhando-a. e eu, todos os dias, esperando teu olhar, entregue, suspeita. querendo que você me espreitasse em silêncio, num desejo contido, atraído por mim como é atraído por ela. eu queria ser todas as elas para que não sobrasse espaço em você para outra coisa que não eu. e então eu concentraria todo seu desejo, todo o tesão, toda a volúpia, tudo aquilo que é errado e proibido. 

como não o posso. escrevo. 

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