a casa sem homem
19:40h. nossa reserva já passou do tempo. passei de moto ao lado do restaurante que marcamos e fiquei pensando que em algum espaço-tempo, poderia ter havido nós ali. mas não houve. o vento noturno de outono parecia pequenas faquinhas no peito e eu quis ir sem casaco pra sentir tudo passando, me lembrando que o tempo não está suspenso, mas transparente correndo entre um alvéolo e outro. hoje mais cedo, antes de desmarcar nossa reserva, você disse que não sabia se estava me dando o que você queria e nem conseguindo receber o que eu queria nos dar ( sic ). na minha estrutura dramática e fatalista, eu já ensaiei meus atos finais nas trocas de mensagens, como se fosse uma crônica de morte anunciada e você estivesse se separando de mim. lágrimazinhas mequetrefes me escorriam do olho e mergulhei num silêncio. "você quer falar?" , Rosa me perguntou. "não, quero escrever" , respondi. e na minha cabeça eu escrevi tudo e um pouco mais do que consigo escrever agora, as palav...