silêncio
o silêncio tem uma natureza de estica-puxa que prende e solta e quanto mais silencioso melhor; mas tem, ainda, uma curva do silêncio que é aquele momento onde estamos abrindo mão do que pode ser dito, mas ainda tem, lá no fundo, uma expectativa de ouvir, dialogar e compreender. nessa fração de angústia o fluido do estômago faz uma dancinha esquisita, sobe e desce, e tem gente que chora. eu não, eu só escrevo. até porque, escrever é uma forma de não falar e quem diria que eu poderia romper o silêncio, se eu quisesse? acho que gosto de pensar no que você diria-e-não-disse, no que eu diria-se-tivesse-coragem, no que seria se tudo que eu penso pudesse encontrar a realidade e em como além do estômago, a gente também dançaria, mesmo que eu tenha horror-a-ideia-de-dançar-em-público. bricando com a linguagem eu me encanto do que não pode e nunca será dito, mas ainda anseio o que poderia ser dito além das palavras que conheço. não existe um mestre em palavras. todos somos surpreendidos pelo arr...