por um fio
pelo fio da corda me imagino amarrando você, punhos, calcanhares, num conforto desconfortável; me imagino sentindo seu cheiro, em cada centelha de pêlo do seu corpo, como quem degusta uma fruta madura, me lambuzando de saliva e sêmen. e na linha tênue entre quem manda e quem obedece, me amarro em você, para sentir a tensão da corda, do corpo, do olho, de tudo; queria ser um pedaço de algo que você deixa sempre guardado no bolso, pra aproveitar o máximo do calor e do seu movimento. mas também queria ser uma onda que te engole, seios, mamilo, numa onda intensa, molhada, aguada, profunda, te puxando e te devolvendo. morar dentro de você por alguns segundos para saber como é ser esse coração que bate pulsante em ritmo frenético; sair suavemente, cansada, murcha, mole. te beijar a boca e deixar com que todos os gostos se misturem e nos lembrem que a fome ainda não passou.