silêncio
o silêncio tem uma natureza de estica-puxa que prende e solta e quanto mais silencioso melhor; mas tem, ainda, uma curva do silêncio que é aquele momento onde estamos abrindo mão do que pode ser dito, mas ainda tem, lá no fundo, uma expectativa de ouvir, dialogar e compreender. nessa fração de angústia o fluido do estômago faz uma dancinha esquisita, sobe e desce, e tem gente que chora. eu não, eu só escrevo. até porque, escrever é uma forma de não falar e quem diria que eu poderia romper o silêncio, se eu quisesse?
acho que gosto de pensar no que você diria-e-não-disse, no que eu diria-se-tivesse-coragem, no que seria se tudo que eu penso pudesse encontrar a realidade e em como além do estômago, a gente também dançaria, mesmo que eu tenha horror-a-ideia-de-dançar-em-público. bricando com a linguagem eu me encanto do que não pode e nunca será dito, mas ainda anseio o que poderia ser dito além das palavras que conheço. não existe um mestre em palavras. todos somos surpreendidos pelo arranjo que sai da boca do outro. bonito e difícil de controlar. inesperado, mas também um pouco previsível.
aí vou me enrolando nesse novelo de letrinhas e esperando sua resposta. enrolei até aqui esperando você me dizer algo. aqueeeeeeeeeeeele algo, sabe? aquela negativa que eu preciso para poder olhar pra você como um conto, uma crônica. até porque, sejamos justos, nunca escrevi um romance. sempre paro no meio. é, tô parada no meio. eu e minhas palavrinhas. as palavrinhas e o silêncio. buscando um jogo de palavras cruzadas onde existe eu
e
você
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