eu, que sou especialista em terminar.
este ano, me tornei especialista em terminar namoros. não sei nem se dá pra falar que eram namoros, já que o que eu pedia, que era um pedido, nunca aconteceu. posso dizer, então, que me tornei especialista em terminar quases. toda vez que estive quaaaaase lá, como num delicioso sonho que acaba antes de abocanhar um pedação de torta, eu acordava. cada vez, mais solitária do que a anterior. por algum motivo, este último parece pior (não gosto de pensar que os próximos serão ainda piores, então, me resigno); pior que é madrugada e não consigo dormir e a angústia tomou o lugar da raiva e não sinto vontade de colocar ninguém novo neste lugar. o sexo, não almejo. sendo sincera, talvez me faça bem um tempo sozinha. mas pensar que estou sozinha me causa outra angústia igual ou maior: será que sempre estive e só considerei as meias-presenças, presenças inteiras, enquanto fui passeando entre o que eu inventei o que eu queria e era incapaz de pedir? mas quando fui capaz, recebi um sincero: "não consigo te dar o que você quer", e ainda que eu ame estar certa, amo mais ser amada. ser amada é implacável com estar certa. só este ano terminei com Pedro, Matheus terminou comigo, Camila terminou comigo (mas eu também queria terminar), Arthur desapareceu, junto com Rômulo, o outro Matheus terminou comigo também. mas eu ainda não havia chorado. ainda hoje li um mito de origem colombiano que fala de uma moça que saiu de uma laguna com um bebê, esse bebê povoa o mundo e ambos retornam à laguna e se transformam em cobras. devo estar contando errado e peço perdão aos colombianos, mas o que ficou pra mim é sair e voltar para a mesma laguna, mas de uma forma diferente. sendo alguém diferente. posso dizer, com franqueza, que todos esses términos foram terminando pedacinhos de mim que precisavam de uma despedida; não sei se aguento um próximo tão cedo, meu coração gosta muito de amor para escolher reparti-lo com quem só sabe ir embora (ainda que a pessoa que mais soube ir embora, tenha sido eu). quero ficar. quero desesperadamente ficar. quero brigar, confrontar, ajustar e seguir. quero construir. só amar não me tem sido suficiente.
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