eu falei que queria conversar com você, mas foi num impulso, porque não sei bem o que dizer. não sei se começo falando que eu sabia que poderia ser confuso envolvê-la, mas que não achei que seria, porque de maneira geral eu acho que vocês sabem mais o que estão fazendo do que eu. daí percebi que não, que ela não sabia o que estava fazendo e eu acho que ela queria me ver, me conhecer, encostar em mim, para tangibilizar algum tipo de conforto/ desconforto. claro que não foi isso que ela me disse, o que ela disse é que ela não quer saber dos afetos dela através de outras pessoas, mas eu sou uma outra pessoa? aí reparei que tudo que eu quero te falar não é sobre você, mas sobre ela e fico com raiva de ter permitido que esse espelhamento acontecesse, mas ao mesmo tempo eu queria que acontecesse porque eu quero sentir que tenho controle das partes da sua vida que você não me conta. e você só não me conta, porque eu não pergunto. e não pergunto porque eu odiaria ouvir de você que eu não sou tão importante quanto pareço ser, quanto me sinto, quanto você me faz sentir. acho que nessa conversa que marquei, vou falar sobre como eu gosto da nossa relação e tentar encontrar algum "mas" conflituoso que afaste você de mim. ou, posso honrar as longas horas de análise que faço e tentar elaborar que quero passar mais tempo com você, mas na verdade não sei se quero, já passamos muito tempo juntos. pensando bem, talvez eu queira me aprofundar e me abrir e não me sinta confortável porque não sei se espaço está dado e nunca sei se você gosta de mim mesmo ou se sou só uma (deliciosa) conveniência de arranjos de possibilidades de espaços. mas falar isso também exporia uma insegurança que é contra-producente para esse meu personagem seguro e decidido. é, não vou falar nada mesmo. na verdade, eu vou. e como não terei me preparado, será a pior coisa possível.
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